Homo interminatus
Ontem foi dia de lembrar o insano ataque ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. Mais uma vez milhares de pessoas, e não só nos Estados Unidos, pararam para lembrar a morte. Cerimônias foram celebradas em varios lugares, sinos tocaram, lágrimas rolaram em milhares de faces. Ora, dirá alguém, é uma homenagem sempre justa a tantos que se foram, vítimas de um ato insano, abatidos por uma crueldade sem limites. Ora, dirá alguém, sempre é hora de lembrar vítimas inocentes. mortas numa "guerra suja", sem exércitos, que talvez ninguém explique. Mas o que vejo é uma necessidade imensa de fazer com que essas vítimas dos atentados de NYC fiquem, de alguma forma, vivas para sempre na nossa memória. Não me parece que querem que elas descansem em paz, mesmo três anos após aquele dia que, de alguma forma, mudou a história da humanidade. Políticos, como Bush e Rumsfeld, precisam que essas vítimas "renasçam e morram" todo ano para que os republicanos possam se perpetuar no poder. A memória sobre as vítimas será sempre seu grande trunfo eleitoral, pois elas são a prova "viva", ainda que mortas, do que é capaz o terrorismo. E o terrorismo acaba também sendo cabo eleitoral. Os terroristas que, nas vésperas dessa celebração, faziam novas ameaças de ataques querem que, lembrando dessas vítimas, nos lembremos também que eles estão por aí, à espreita, prontos para atacar por conta de um ódio que alimentam a cada momento, a cada vítima, não importa de que lado ela venha. E possivelmente os terroristas acabarão garantirão mais 4 anos para Bush e seu bando. O duro é hoje ter que viver sob ameaças, conviver num cenário de ameaçados e ameaçadores. Parece que só nos sobrou isso. A única coisa que políticos estadunidenses prometem hoje é que farão de tudo para evitar novos atentados. Ao invés da felicidade, prometem mais segurança. Na Rússia, após o massacre de crianças em Beslan, Putin promete fazer de tudo, até desrespeitar soberanias de povos e nações, num luta contra o terrorismo.
E os terroristas prometem novos atentados. Os políticos já não nos prometem mais a felicidade, o bem-estar, o emprego, a saúde, a educação, a aposentadoria, o paraíso. O máximo que fazem é prometer que gastarão bilhões e bilhões de dólares ou a moeda que seja para evitar que homens, literalmente saídos de cavernas, interrompam as nossas vidas miseráveis com seus ataques que visam vítimas inocentes. Hoje vivemos constantemente sob ameaça. Ao mesmo tempo, alguns vivem das ameaças. A "namoradinha do Brasil" ameaçou em 2002. Agora, Marta Suplicy também ameaça com um "risco" chamado Serra. Os políticos "modernos" não mais prometem; ameaçam. O Homo sapiens, que se mostrou demens, de repente se torna Homo interminatus. E na charge de hoje, na Folha de São, Angeli, de forma irônica, acaba nos lembrando que passamos a ser uma espécie ameaçada, ameaçada por nós mesmos. Como é triste o que o destino nos reservou; destino esse que nós mesmos determinamos, que a humanidade escreveu com o sangue de vítimas inocentes de atentados planejados por mentes doentes, de pessoas que parecem amar apenas o ódio.

Escrito por Simão Pedro às 15h15
[ envie esta mensagem ]
|