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Ted ... Trans

Trechos da matéria "Fortaleza Digital", publicada no Caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, ontem.

Ted NelsonSe no século 20 éramos modernos, a expressão que melhor determina o comportamento no século 21 é "hiper": a vida é hiperacelerada, as crianças, hiperativas, as pessoas, hiperestressadas, a internet, hiper-rápida, os descolados, simplesmente, "hypes"...
É justo então que um evento hipermovimentado como o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, o File, que aposta ser o maior acontecimento de arte e tecnologia do país, inicie sua sexta edição com a presença de um dos primeiros intelectuais a utilizarem o termo "hiper" no campo das artes eletrônicas, o norte-americano Theodor H. Nelson, que, em 1960, cunhou as palavras hipertexto e hipermídia.
Filósofo e professor convidado do Instituto de Internet da Universidade Oxford (Reino Unido), Ted Nelson vem pela primeira vez ao Brasil para a abertura do File hoje, no Centro Cultural Fiesp, em um simpósio somente para convidados. [...]
Seja lá qual for o motivo, as teorias de Nelson têm tudo a ver com a idéia do festival, de envolver o público em uma rede de experiências artísticas. Para ficar mais claro, o conceito de hipertexto, descrito por George Landow no livro "Hypertext 2.0" (1997), diz que este é uma série de textos conectados por links que proporcionam diferentes opções de leitura. Hipermídia, por sua vez, é a possibilidade de agregar figuras, sons e mapas aos links. Qualquer semelhança com a internet não é mera coincidência.
Aos 20 e poucos anos, o jovem estudante de Harvard Ted Nelson acreditava que a literatura poderia funcionar de maneira não-linear. Suas idéias foram o embrião para o projeto Xanadu, no qual, junto a outros pesquisadores, ele tentou criar um sistema dentro de uma rede de computadores. Nos anos 80, o Xanadu foi vendido, mas, por falta de investimento e "problemas políticos", não vingou. Muita gente afirma, no entanto, que o hipertexto inspirou outra invenção, a bem-sucedida "world wide web", que Ted Nelson "odeia".
"Os tecnólogos seqüestraram o conceito de hipertexto e criaram algo que não tem nada a ver com ele", diz Nelson, 68. Sua principal crítica é que, ao contrário do que ele propunha, a internet repete o design do papel, sem trazer inovação. "Há milhares de maneiras de colocar as coisas na tela, mas todos -Macintosh, Microsoft, Linux- copiam o formato retangular e a hierarquia do papel."
Em sua conferência, hoje à noite, Nelson apresenta sua nova proposta, a "transliteratura", que conecta duas webpages -quando o mouse passa sobre um trecho do texto, se abre uma janela que leva para o original. "É um sistema de fonte aberta, onde é possível remixar e recombinar qualquer coisa, sem problemas com copyright", garante.
A "transliteratura", centro de seus atuais estudos em Oxford, está descrita no site
www.transliterature.org.
Talvez, no século 22, sejamos todos "trans...".



Escrito por Simão Pedro às 23h14
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