Netizen


Mini-série

Dizem que Lula queria ser o novo JK. Não deu.
Tentou ser a reedição de Getúlio Vargas. Também gorou a idéia.
Agora, ao que parece, só lhe resta ser o Ademar de Barros de hoje.
E por tudo isso a charge de Angeli na Folha de São Paulo de segunda-feira da semana passada merece ficar regstrada.



Escrito por Simão Pedro às 17h50
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Nepotismo

É a tal história. Nepotismo no Brasil não é coisa nova; começou exatamente em 1500, com Pero Vaz de Caminha.
Quem se esquece da carta ao Rei, puxando saco, elogiando a terra e pedindo emprego para o sobrinho?
O nepotismo, em tese, acabou no Judiciário. Mas ainda deve ser extinto, pois é mantido em muito lugar. Alô Legislativo!
Mas a charge de Angeli, ontem, na Folha deve ser mantida.

cherga



Escrito por Simão Pedro às 14h25
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Escola, botânica e guarda-chuva

O guarda-chuva e a botânica

A educação, que geralmente é confundida com ensino, sobretudo aqui no Brasil, nunca foi lá essas coisas entre nós, sendo que o ensino consegue ser pior ainda. Reúne-se 30, 40 alunos numa sala combalida, quase sórdida; durante três, três horas e meia, um professor mal remunerado ensina a correta colocação dos pronomes oblíquos, o nome dos rios da margem esquerda do Amazonas e a data da proclamação da República.
Manda os alunos fazerem o dever de casa. Grande parte deles nem tem casa para fazer o dever.
Isso é ensino, não é educação. Mas nem mesmo a educação tem bons antecedentes entre nós. Meu pai era professor concursado, após algumas experiências pediu o boné e foi ser jornalista, e como tal pagou o leite das crianças, incluindo meu próprio.
Ele não se adaptava à burocracia que dominava os colégios, não apenas a burocracia, mas a burrice institucionalizada. Um dia apareceu lá em casa com um colega que estava desempregado. Era um senhor mais velho do que ele, magro, com fumos de solenidade, vestido sempre de preto, parecia um guarda-chuva. Fizesse sol ou chuva, sempre trazia no braço um outro guarda-chuva, para evitar confusões: eram duas entidades diversas mas não conflitantes, ele, que parecia um guarda-chuva, e o próprio guarda-chuva.
plantasEra professor de botânica e entrou em colisão com o colégio. Como também se tratava de um concursado, não podiam demiti-lo. O diretor comunicou-lhe que ele não mais daria aulas de botânica, mas de latim. "Eu não sei latim!" reclamou ele.
O diretor não acreditou. Um botânico devia saber o nome de todo o reino vegetal em latim, logo, sabia latim. Manteve a nomeação. Revoltados, os dois guarda-chuvas prometeram nunca mais pisar no colégio.
Meu pai levou-os ao jornal em que trabalhava. Descolou para o amigo e seu guarda-chuva uma vaga na reportagem. Estrearam fazendo uma suculenta e ilegível matéria sobre o Jardim Botânico.

Texto de Carlos Heitor Cony, publicado na Folha de São Paulo, em 13.02.06



Escrito por Simão Pedro às 14h20
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