Nepotismo
É a tal história. Nepotismo no Brasil não é coisa nova; começou exatamente em 1500, com Pero Vaz de Caminha. Quem se esquece da carta ao Rei, puxando saco, elogiando a terra e pedindo emprego para o sobrinho? O nepotismo, em tese, acabou no Judiciário. Mas ainda deve ser extinto, pois é mantido em muito lugar. Alô Legislativo! Mas a charge de Angeli, ontem, na Folha deve ser mantida.

Escrito por Simão Pedro às 14h25
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Escola, botânica e guarda-chuva
O guarda-chuva e a botânica
A educação, que geralmente é confundida com ensino, sobretudo
aqui no Brasil, nunca foi lá essas coisas entre nós, sendo que o ensino consegue
ser pior ainda. Reúne-se 30, 40 alunos numa sala combalida, quase sórdida;
durante três, três horas e meia, um professor mal remunerado ensina a correta
colocação dos pronomes oblíquos, o nome dos rios da margem esquerda do Amazonas
e a data da proclamação da República. Manda os alunos fazerem o dever de
casa. Grande parte deles nem tem casa para fazer o dever. Isso é ensino, não
é educação. Mas nem mesmo a educação tem bons antecedentes entre nós. Meu pai
era professor concursado, após algumas experiências pediu o boné e foi ser
jornalista, e como tal pagou o leite das crianças, incluindo meu próprio. Ele
não se adaptava à burocracia que dominava os colégios, não apenas a burocracia,
mas a burrice institucionalizada. Um dia apareceu lá em casa com um colega que
estava desempregado. Era um senhor mais velho do que ele, magro, com fumos de
solenidade, vestido sempre de preto, parecia um guarda-chuva. Fizesse sol ou
chuva, sempre trazia no braço um outro guarda-chuva, para evitar confusões: eram
duas entidades diversas mas não conflitantes, ele, que parecia um guarda-chuva,
e o próprio guarda-chuva.
Era professor de botânica e entrou em colisão com o colégio. Como
também se tratava de um concursado, não podiam demiti-lo. O diretor
comunicou-lhe que ele não mais daria aulas de botânica, mas de latim. "Eu não
sei latim!" reclamou ele. O diretor não acreditou. Um botânico devia saber o
nome de todo o reino vegetal em latim, logo, sabia latim. Manteve a nomeação.
Revoltados, os dois guarda-chuvas prometeram nunca mais pisar no colégio. Meu
pai levou-os ao jornal em que trabalhava. Descolou para o amigo e seu
guarda-chuva uma vaga na reportagem. Estrearam fazendo uma suculenta e ilegível
matéria sobre o Jardim Botânico.
Texto de Carlos Heitor Cony, publicado na Folha de São Paulo, em
13.02.06
Escrito por Simão Pedro às 14h20
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