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Abuso de Poder

O editorial da Folha de São Paulo de hoje é para ser lido agora. E continuar sendo lido em um mês, dois meses ... até outubro próximo. Deve ser lido por quem votou em Lula, por quem nunca o fez. Por quem promete não o fazer mais, e pelos que o farão jamais. E deve ser lido até mesmo por aqueles que juram que votarão em Lula de novo. É um editorial - que será acusado de tendencioso pelos petistas e seus comparsas, que vêm na Folha um jornal a serviço da oposição - que revela uma verdade, ainda que nojenta, do que é o atual governo brasileiro. Eu nunca tive tanto motivo para me envergonhar do meu país, ainda que não tendo votado em Lula.
ABUSO DE PODER
A desfaçatez, o uso sistemático da mentira, o empenho em desqualificar qualquer denúncia, nada disso constitui novidade no comportamento do governo Lula. Chegou-se nos últimos dias, entretanto, a níveis inéditos de degradação ética, de violência institucional e de afronta às normas da convivência democrática. Na tentativa inútil de salvar a credibilidade em farrapos de um ministro, viola-se o sigilo bancário de um cidadão comum, o caseiro Francenildo Costa _enquanto toda sorte de malabarismos jurídicos e parlamentares protege as contas de Paulo Okamotto, celebrizado pelos nebulosos favores que prestou ao presidente. Fato ainda mais grave, o caseiro se torna alvo de investigação por parte da Polícia Federal, num ato indisfarçável de ameaça e abuso de poder. A iniciativa _tomada em tempo recorde_ não tem paralelo na história recente do país, infelizmente pródiga em situações nas quais representantes do poder público se viram às voltas com denúncias sérias de corrupção. Seria o caso de qualificá-la como um crime de Estado, não fosse, talvez, excessiva indulgência chamar de "Estado" o esquema de intimidação oficial que assume o proscênio no momento. Com arrogância e desenvoltura típicas de uma organização habituada à impunidade e aos acertos inconfessáveis, representantes do lulismo já faziam saber, antes mesmo que as contas do caseiro viessem ao conhecimento público, que dispunham de dados supostamente capazes de incriminá-lo. Posteriormente, a demora em chegar aos responsáveis pelo abuso não fez mais do que intensificar as convicções de que terá partido dos altos escalões governamentais a orientação para que fosse levado a efeito. Da "lei da mordaça" contra o Ministério Público ao abortado projeto de um Conselho Nacional de Jornalismo, da tentativa de expulsar do país o correspondente do jornal "The New York Times" aos sucessivos embaraços antepostos à ação das CPIs, o governo Lula já deu mostras de que convive mal com a liberdade de imprensa e com a procura da verdade. Ultrapassou, contudo, o terreno das propostas legislativas desastrosas, como ultrapassou também o terreno das bazófias, das chicanas e do cinismo militante, para se aventurar na prática da chantagem e do abuso de poder.
Escrito por Simão Pedro às 13h03
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Outra que a Folha não publicou
Os últimos episódios, como a não cassação de deputados pegos em maracutaias incríveis, a quebra ilegal de sigilo bancário de pessoa que testemunhou contra um ministro e da caminhadinha saltitante" de uma deputada petista que celebrava a pizza em que vão terminando as CPI, ou a maioria dos nossos atuais congressistas "dança" nas eleições de novembro próximo ou estaremos demostrando, definitivamente, que somos um país que não tem um pingo de vergonha na cara. E estaremos dando razão ao que teria dito sobre nós um general estrangeiro já morto há muito tempo.
[enviada em 25 de março de 2006]
Escrito por Simão Pedro às 13h00
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Os ratos vêm prá Caixa também ...
Glauco, fantástico, na Folha de 6a feira. Só faltou colocar uma estrela vermelha nas costas do rato.

Escrito por Simão Pedro às 12h54
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Esta a Folha não publicou ...
Quebrado, ilicitamente, o sigilo bancário do caseiro Josenildo Costa, o Nildo, alguns petistas e outros amigos de Lula se apressarem para vir a público sugerindo que o dinheiro depositado na sua poupança seria proveniente da compra, pela oposição, do seu depoimento contra o ministro Palocci.
Agora, o COAF - que por sinal não conseguiu detectar 55 ou mais milhões que circularam pelo valerioduto e alimentaram deputados da base de apoio do governo - cria a suspeita dos R$25 mil reais do caseiro serem produto da lavagem de dinheiro.
A ser verdade o que afirmam ou supõem os comparsas de Lula, o caseiro teria depositado o dinheiro ilícito justamente num banco estatal, controlado em última instância pelo Ministro da Fazenda. Ou seja, teria sido um perfeito idiota.
É vergonhoso o que o governo, que diz democrático, está fazendo nesse caso para amedrontar testemunhas, acobertar suas maracutaias e proteger seus membros.
E, o pior, é tentar, com essa história, fazer milhões de brasileiros o Eremildo criado por Elio Gaspari.
[enviada em 24 de março de 2006]
Escrito por Simão Pedro às 12h52
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